Custo de produção é fortemente afetado pelo custo da energia

Em Paranavaí, que pela primeira vez participa do levantamento, a agroindústria reajustou em 13% o valor pago aos avicultores por quilo de frango entregue. Os produtores, no entanto, sofreram com o peso de insumos básicos. O avicultor Carlos Eduardo Maia destaca o peso da energia e do aquecimento dos aviários (com lenha e/ou pellets). Segundo os dados compilados pelo Sistema FAEP/SENAR-PR, os gastos com eletricidade corresponderam a 29,7% dos custos variáveis, enquanto os gastos com lenha e/ou pellets representaram 9,7%.

“A gente teve um custo elevadíssimo em energia e em lenha, que engoliram os reajustes da bonificação. Em menos de seis meses, a lenha dobrou de preço na região”, destaca Maia. “Já temos uma reunião marcada para janeiro com a agroindústria. Vamos levar essas informações e comparar com o levantamento da empresa, para chegarmos a um denominador comum. Sabemos que os custos também não estão fáceis para a integradora, mas temos que caminhar juntos”, acrescenta.

Em Toledo, além da energia, os produtores ressaltam a alta aguda de equipamentos e itens da construção civil, que encarecem os investimentos em infraestrutura e/ou reformas e adequações. O presidente da Associação dos Avicultores do Oeste do Paraná (Aviopar), Edenílson Carlos Copini, no entanto, vê alguns pontos positivos, entre os quais o fato de a agroindústria não ter interrompido os abates ao longo da pandemia e do diálogo aberto, o que pode ajudar a construir consenso adiante.

“Tivemos reajuste de 10%, em contrapartida os itens de infraestrutura subiram muito. As agroindústrias não têm conseguido repassar esses valores em cima da infraestrutura. Outro desafio é o aquecimento das aves. Usamos pellets de pinus, produto que praticamente dobrou de preço em três anos. Estamos com dificuldades para pagar isso”, observa. “Temos que ganhar acima de R$ 1,20 por frango. Quem ficar abaixo de R$ 1 [por ave] vai estar tirando dinheiro do bolso e se descapitalizando”, diz.

As condições são ainda mais severas para produtores com financiamento em aberto. Segundo o avicultor Ilseu Peretti, de Chopinzinho, esse é o caso de inúmeros produtores da região. “Em termos de remuneração, tivemos uma melhora de 2%. Isso foi insuficiente, principalmente para quem tem granjas financiadas. Tenho vizinhos que estão em desespero, prorrogando parcelas com juros abusivos e com o risco de perder as terras que deram como garantia. O avicultor só se mantém por persistência e com mão de obra familiar. Mas muitas famílias já estão descapitalizadas e com dificuldades na sucessão”, aponta.

Energia renovável pode garantir sustentabilidade financeira

O aumento do peso da energia elétrica na avicultura tem evidenciado uma saída a que, cada vez mais, produtores têm aderido: a geração própria a partir de fontes renováveis, principalmente a solar. Recentemente, o Sistema FAEP/SENAR-PR divulgou estudos técnicos que demonstram a viabilidade financeira do investimento em usinas fotovoltaicas e de biogás. Com a previsão do fim da Tarifa Rural Noturna (TRN) – programa que concede descontos à energia consumida no campo durante a noite e a madrugada – para dezembro de 2022, a aposta em energias renováveis deve ser determinante para a sustentabilidade financeira de atividades como a avicultura.

“De um lado temos bandeiras tarifárias que encarecem a conta de luz. De outro, temos o fim de subsídios federais e estaduais. Então, a adoção da energia renovável deixou de ser uma alternativa, para se tornar uma realidade”, observa Luiz Eliezer Ferreira, do DTE. “Temos novas legislações que trouxeram segurança jurídica a esses investimentos. São projetos que se pagam em poucos anos e, após esse período, podem garantir renda ao produtor”, destaca. Não faltam exemplos que ilustrem o que Ferreira diz. Nos últimos seis meses, a conta de luz do avicultor Carlos Eduardo Maia vinha se estruturando para investir em energia renovável. Ele vai aportar R$ 3 milhões – financiados pelo BNDES – em painéis fotovoltaicos, que produzirão toda a energia consumida nos 12 aviários, que alojam 500 mil aves por lote.

“As alterações na TRF já tinham limitado o desconto aos produtores. Agora, vamos ser autossuficientes em energia. Com essas bandeiras tarifárias, entre três a quatro anos o investimento vai se pagar”, diz Maia. “Mas o dinheiro economizado com energia por causa do investimento em usinas fotovoltaicas tem que ficar com o produtor. Não adianta, depois, a integradora querer zerar os repasses de energia, alegando que o avicultor já não tem esse gasto. A gente está investindo para deixar de gastar, não para a indústria ganhar em cima”, ressalva.

Os produtores também ressaltam a dificuldade de o produtor captar crédito para investir nos projetos. Em algumas regiões, os avicultores não conseguem acesso ao Renova PR, programa do governo do Estado para fomentar a implantação de sistemas de energia renovável. Ainda assim, quem instalou as usinas em seus aviários atesta os benefícios.

“O ganho real só vai existir quando o produtor terminar de quitar o financiamento. Mas sem sombra de dúvidas é uma alternativa viável. Em vez de pagar a energia à concessionária, você paga o financiamento da implantação da usina, que é um ativo do produtor”, diz o presidente da Comissão de Avicultura da FAEP, Diener Gonçalves Santana.

Artigo Original: Portal Terra e Negócios